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A Cidade Misteriosa

(In: MEYEROVITCH, Eva de Vitray. 75 Cuentos Sufíes – Los caminhos de la luz. España: José J. Olañeta Editor, 1997, p. 40.)

(Tradução: Taslim)

 

Certo dia, um beduíno solicitou audiência com o Khalifa Omar Ibn Khattab e lhe contou o seguinte:

Oh, Emir dos crentes, acabo de viver uma aventura maravilhosa!

Saí em busca de uns camelos que havia perdido no deserto, quando cheguei diante de uma gruta e nela entrei para me proteger do calor. Depois de ter andado um grande trecho em seu interior, de repente me vi num paraíso, cheio de árvores gigantescas, carregadas de frutos magníficos. Em seus galhos estavam pousadas aves do paraíso. Ali corriam riachos de água límpida e de mel. Leões, panteras e tigres não manifestavam nenhuma animosidade para comigo, as gazelas e antílopes, nenhum temor. Não havia nenhum animal maligno. Recolhi do chão ouro e pedras preciosas que aqui te trago.

Depois de sinalizar a posição da gruta, vim pedir que me dês homens e caravanas para encontrá-la e fazer que a comunidade se beneficie de seus tesouros”.

O Khalifa consentiu satisfeito. No entanto, por mais que tenham buscado, a cidade maravilhosa nunca foi achada.

Segundo J. Scelles-Millie, Contes Arabes du Maghreb, p. 239 – 241, cujas notas, muito interessantes, são citadas abaixo:

“Estas cidades escondidas de lendas têm, certamente, interpretações esotéricas possívels. Estão situadas nas regiões desérticas reais ou criadas pela ascese, pelo esvaziamento de toda emoção, de toda imagem e toda lembrança, no silêncio interior. Se mostram ou se escondem à visão interior segundo a intensidade da meditação ou intervenção da graça que dá acesso ao descobrimento místico. Nelas, o chão está coberto de pepitas de ouro do ‘conhecimento’. Os animais considerados ‘selvagens’ ali não causam nenhum dano, o que é um dos signos característicos do Éden. Segundo uma imagem esotérica corrente, as gazelas e os antílopes representam as almas sensíveis e sedentas do divino”.