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Rabi´a Al´adawiyya (“72 Awliyá’  Sufis”, Farid ud-din Attar)

   Certo dia a empregada de Rabi’a,  estava fazendo um caldo de cebolas, e já levavam vários dias sem nada comer. Ao perceber que tinham poucas cebolas, disse:
    - Pedirei na casa vizinha.
     - Já vão quarenta anos – contestou Rabi’a - que pactei com o Todo-poderoso, prometendo-Lhe que a ninguém mais que Ele pediria coisa alguma. Não peças cebolas.
   No mesmo instante um pássaro sobrevoou o lugar com cebolas descascadas no bico, deixando-as cair na panela.
    - Não tenho certeza de que isto não seja uma armadilha, reagiu Rabi’a.
   E apenas comeram pão.

   Rabi’a  subira a montanha, e de pronto viu-se rodeada por uma manada de cervos e cabras, íbis e asnos selvagens, que atentamente a contemplavam.
   De súbito, surgiu no lugar Hasan de Basra, um dos Sufis Amigos Preferidos de Deus. E os animais fugiram ao vê-lo, abandonando Rabi’a.
   -Porque fogem de mim e de ti se aproximam com tanta docilidade?! Hasan perguntou a Rabi’a
   - O que foi que você comeu hoje?
Rabí’a contestou.
   - Um pouco de cebola, respondeu o Amigo.
   - Comes a riqueza deles, .então porque não teriam que fugir de ti?!, Rabi’a  lhe disse.

   Um notável erudito de Basra visitou Rabi’a, quando ela estava doente. Sentado junto a seu leito, o homem dedicou-se a desprezar este mundo.
   - A este mundo amas muito, comentou Rabi’a para logo concluir, “Não o mencionarias tanto, se não o amasses. Sempre é o comprador quem critica a mercadoria. Se tivesses rompido com o mundo, não o recordarias nem para bem, nem para mal. Tal como são as coisas, não deixas de lembrá-lo porque, como diz o ditado, quem alguma coisa ama, a menciona com freqüência”.