São Jorge, celebrado por Attar, o sábio Sufi

Farid ud-Din Attar, “Elahi-Nâmeh” (O Livro Divino)

Tradução: André Sena 

 

   "Três vezes por entre fogo e sangue o pagão girava a roda sobre o corpo de Jorge.

Seu corpo despedaçou-se, pulverizado; e de sua poeira nasceu um jardim de tulipas.

Em meio a este suplício e tormento, a Voz divina alcançou o supliciado através de um

mensageiro celeste:

    “Aquele que aspira e busca o Nosso amor não poderá beber vinho límpido e imaculado.

     Pois tal é a recompensa eterna dos que são Nossos amigos: a roda que lhes esmagará

os sete membros.”

 

    Perguntou-se a Jorge: “Homem, puro, desejas algo sobre esta terra?”

    Ao que ele respondeu: “O que ora desejo é passar mais uma vez pelo suplício da roda 

e ter meus membros rompidos afim de que a Voz divina me alcance ainda uma segunda

vez,

     Pois Deus prescreveu todas estas penas a minha alma para caminhar

ao meu lado em amizade.

  

   Não reconheces em absoluto a grandiosidade dos amigos d’Ele, pois levas uma

vida descuidada.

      Sê tu alguém que cultiva Sua amizade, ou então coloca-te na fileira dos

amigos de Seus amigos.”

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